Consumismo desenfreado

1417174808_154273_1417177598_album_normalEsther Vivas | Esquerda.net

Se o início dos saldos se estreia aqui com grandes aglomerações, filas e empurrões para aceder aos centros comerciais, que os meios de comunicação nos retransmitem temporada após temporada, noutros países vão um passo mais além.

Na passada sexta-feira “celebrou-se” o Black Friday, a “festa” por excelência do consumo e dos preços baixos, concebida nos Estados Unidos e que pouco a pouco se estende a outros países. As imagens que nos deixava esta “efeméride”, especialmente nos supermercados britânicos, dizem tudo a respeito desta celebração: duas mulheres brigando para levar o mesmo televisor, avalanche de pessoas no chão e pisando-se à entrada de um centro, famílias a lutar para obter outros objetos cobiçados. Alguns estabelecimentos temendo pela sua segurança e pela dos seus alienados clientes, e incapazes de controlar a situação, acabaram por chamar as “forças da ordem”.

No entanto, ano após ano repetem-se as mesmas imagens. Em 2011, nos Estados Unidos, uma mulher chegou mesmo a aspergir com gás pimenta outros compradores em pleno combate pelas mercadorias desejadas. O consumismo desenfreado parece não ter limites. E os grandes centros comerciais são os seus principais promotores.

Agora parece que a “tradição” chega aqui, na linha de importar outras celebrações anglo-saxónicas, desde o São Valentim passando pelo Pai Natal até ao Halloween, que na maioria dos casos e sob o slogan do amor, da solidariedade e da festa nos vendem o mais estrito consumo. As grandes empresas esfregam as mãos, negócio é negócio. Aqui, El Corte Inglés, Amazon, Worten, Carrefour, Media Markt, Vodafone, Decathlon juntaram-se rapidamente à caravana.

Dizem-nos que todos ficaremos a ganhar: mais compras, mais baratas, mais trabalho. Que mais podemos pedir! Mas o entusiasmo consumista só beneficia uns poucos, e não precisamente aqueles que levam as “melhores” ofertas. O consumismo exacerbado dá importantes lucros às grandes empresas do setor, que produzem mercadorias em grande escala, em péssimas condições laborais, gerando empregos precários, e vendem-nas a nós como necessárias… e “ao melhor preço”. A pergunta é: realmente precisamos delas? Se pensarmos duas vezes, talvez disséssemos “não”. A publicidade, pelo contrário, apresentam-nas como imprescindíveis, “uma ocasião que não podes deixar escapar”.

O Black Friday prolongar-se-á por todo o fim de semana. Vão perdê-lo?

 

*Artigo publicado a 29 de novembro de 2014 em Publico.es. Traduzido por Esquerda.net.


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