Ecos do Fórum Social Mundial em Porto Alegre

Esther Vivas

A última edição do Fórum Social Mundial (FSM), celebrado em Dakar (Senegal) em janeiro de 2011, começava coincidindo com a marcha forçada de Ben Alí em Túnez e concluía quando no Egito Mubarak era obrigado a abandonar o poder com millhares de pessoas tomando as ruas. A Primavera árabe era tão só o início de uma inesperada
maré indignada que sacudiu com força o planeta.

Agora, um ano depois, os ecos do Fórum Social Mundial voltam serem escutados de novo. De 24 a 29 de janeiro se celebra em Porto Alegre (Brasil) o Fórum Social Temático: Crise capitalista, justiça social e ambiental, que reúne milhares de ativistas, majoritariamente do Brasil e América Latina.

Se trata do evento mais importante este ano no marco do procedso do Fórum Social Mundial, tendo em conta que este se celebra uma vez a cada dois anos e que o próximo vai ter lugar em janeiro de 2013, muito provavelmente em um dos países referência do despertar das resistencias no mundo árabe.

O Fórum Social Temático em Porto Alegre tem o duplo objetivo de fazer um balanço deste ano indignado e preparar a Cúpula dos Povos Río+20, de 18 a 23 de junho de 2012, no Río de Janeiro em função da Cúpula das Nações Unidas Río+20, vinte anos depois da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento celebrada nesta cidade. Uma Cúpula dos Povos muito importante para denunciar as falsas soluções do capitalismo verde frente a crise ecológica global, a falta de vontade dos países mais contaminantes para acabar com a mudança climática e a necessidade urgente de uma mobilização social de massas a favor da justiça climática.

Alternativas e convergencias

São centenas as atividades que acontecerão nestes dias em Porto Alegre, precisamente, a cidade que viu nascer o Fórum Social Mundial, onze anos atrás. E as temáticas abordam todo o espectro imaginável de alternativas sociais, econômicas, culturais… e das resistências ao capitalismo global. Desde propostas de educação popular, passando por iniciativas de economia cooperativa, a favor da soberania alimentar, alternativas feministas, experiencias contra a privatização dos serviços públicos, de denúncia da economa verde, entre muitas outras. Também o Fórum Social Temático conta, como como acontece no FSM, com um Acampamento Intercontinental da Juventude, que acolherá atividades e reuniões de trabalho específicas.

Mas este Fórum Social Temático não vai resultar somente em um palco de debates e propostas contra-hegemôicas mas sim se dá muito peso ao trabalho de debate e a convergência entre os distintos movimentos sociais participantes. Deste modo, foram criados 16 Grupos Temáticos que desde algumas semanas e mais estes dias trabalham para buscar pontos em comúm em uma agenda a favor da justiça social e ambiental que deve desembocar na Cúpula dos Povos Río+20.

O Fórum Social Temático têm dado hoje , terça 24, o tiro de saída. A marcha de abertura reuniu milhares de pessoas e organizações sociais que percorreram o centro da cidade a pesar da intensa tormenta que caiu e do calor sofocante.

Consignas contra as grandes infra-estruturas, a favor dos direitos campesinos, contra as privatizações dos serviços públicos, pela não mercantilização dos bens comúns.. escutou-se ao longo dos cinco kilometros de manifestação.
Em Porto Alegre, e inspirados pelo movimento Occupy Wall Street, se recorda que somos os 99% frente a esse 1% que, justamente nestes días se reúnem no Fórum Econômico Mundial em Davos.

*Esther Vivas participa do Fórum Social Temático en Porto Alegre e estará em diversas atividades, das quais destacam-se o Seminário do Coletivo Brasil Autogestionário: ” Movimentos Sociais, política e revolução no século XXI” a ser realizado na sexta-feira(27/01, as 13h na Assembléia Legislativa, sala 20 de setembro, e os Debates Globais atividade a ser realizada no sábado as 16h dentro do Conexões Globais na Casa de Cultura Mário QUintana.

Tradução: Paulo Marques ( Coletivo Brasil Autogestionário) www.brasilautogestionario.org


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